sexta-feira, 31 de outubro de 2008


« Veneza é o lugar onde navegam violinos. »

" Às vezes encontramos pessoas que nos são completamente desconhecidas mas que nos provocam interesse à primeira vista, inesperada e repentinamente, sem que seja trocada uma única palavra. "

Fiódor Dostoiévski em "Crime e Castigo"

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Comecei hoje a ler ...

« À data de 25 de Março deu-se em São Petersburgo um acontecimento de inaudita estranheza. O barbeiro Ivan Iákovlevitch (...) acordou bastante cedo e cheirou-lhe a pão quente. (...) Vestiu, por respeito das conveniências, a casaca por cima da camisa e, sentando-se à mesa, serviu-se de sal, preparou duas cebolas, pegou na faca e, com uma expressão eloquente na cara, pôs-se a cortar o pão. Ao separá-lo em dois, olhou para o miolo e, surpresa sua, viu algo esbranquiçado. (...) Enfiou os dedos e tirou - um nariz!...” Ao mesmo tempo, o assessor de colégio Kovaliov fica perplexo ao descobrir que “o sítio do seu nariz era um lugar perfeitamente raso”, correndo ao encontro do chefe da polícia.
Assim se inicia O Nariz, conto do absurdo publicado pela primeira vez em 1836, na revista Sovreménnik [O Contemporâneo] fundada e dirigida por Aleksandr Púchkin. »

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

" Piskariov ... Este jovem cavalheiro pertencia àquela categoria de pessoas que constituem, entre nós, um estranho fenómeno e fazem tanto parte dos cidadãos de Petersburgo como o indivíduo que nos aparece em sonho faz parte do mundo real. Esta classe exclusiva é muito invulgar na cidade em que todos são ou funcionários, ou comerciantes, ou artesãos alemães. Era pintor. Fenómeno estranho, não é ? Um petersburguense pintor ! Um pintor na terra das neves, um pintor no país dos finlandeses, onde tudo é molhado, liso, plano, pálido, cinzento, nebuloso. Estes pintores não têm qualquer semelhança com os pintores italianos, orgulhosos, ardentes, como ardentes são a Itália e o céu italiano; pelo contrário, trata-se, na sua maioria, de gente bondosa e meiga, tímida, despreocupada, silenciosamente apaixonada pela sua arte; gente que, num quartinho pequeno, toma chá na companhia dos seus dois companheiros, discorrendo modestamente sobre a sua matéria dilecta e descurando o supérfluo ... "

Nikolai Gógol in "Avenida Névski "

sábado, 25 de outubro de 2008

Li " A Chuva Pasmada " e ...

Através da sua escrita peculiar e inconfundível, Mia Couto conduz-nos a um universo mágico animado por uma chuva miudinha que hesita entre cair e ficar suspensa, pasmada sobre as nossas cabeças e até por um avô que dá nomes aos dedinhos do pé ! ;)

Livro sobre água, sangue e vida. Sobre a existência, a ancestralidade, a continuidade do sonho. Sobre mar, rio, chuva ... enfim, sobre um caminho líquido onde podemos colocar a canoa da vida e nela navegarmos.

Um doce de livro, recheado de palavras mimadas, brindado com laivos de humor e ao qual as belíssimas ilustrações de Danuta Wojciechowska dão um toque especial.

" - Dou-lhe um conselho, filho. Nunca diga que uma mulher foi sua. Essas são coisas para nós, mulheres, dizermos. Só nós sabemos de quem somos. E nunca somos de ninguém. "

Mia Couto in " A Chuva Pasmada "

" - Sabem qual é a diferença entre borboleta e gente ?
- A pessoa tem alma, borboleta é alma. "

Mia Couto in " A Chuva Pasmada "

" - Pescar é muito bom. E sabe porquê ? Porque é uma actividade sem nenhuma acção. Está entender, meu neto ?
- Sim, avô.
- Você também gosta desta pescatez, não é ? "

Mia Couto in " A Chuva Pasmada "

Comecei hoje a ler ...

" Avenida Névski, mais um dos cinco «contos de Petersburgo». O espaço de privação, de sofrimento e de alienação que é a Petersburgo gogoliana cristaliza-se aqui na sua artéria principal - a Avenida Névski.
O conto assenta em três personagens principais: a cidade, um jovem pintor e um jovem oficial: ao jovem pintor roubam-lhe o sonho e tem um fim trágico; o jovem oficial, estouvado, realista e resignado não consegue a compensação mínima por que se esforça - o amor físico de uma alemã - e consola-se comendo uns bolos; a cidade ( a «Avenida Névski» ) assiste a tudo e é a culpada de tudo ... "

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

" Fabrico Próprio " ... Nham Nham ... ;)


Ora aqui vai uma sugestão de leitura bastante nham nham ! ;)



" Fabrico Próprio " ... Do que trata ... A história dos mais famosos bolos que encontramos um pouco por todo o país, é aqui apresentada num misto de perspectiva antropológica, doce crónica de costumes e um original objecto de design gráfico. Um projecto multidisciplinar que envolveu lançamentos em Portugal e no estrangeiro e a criação de um site http://www.fabricoproprio.net/ !

Deixo também aqui uma deliciosa imagem daquele que é um dos meus bolos preferidos ... as maravilhosas Tartes de Nata da Pastelaria Biarritz em Lisboa ! ;)



quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Comecei hoje a ler ...

" Em Crime e Castigo, Raskolnikov, um pobre estudante e advogado fracassado, está dominado pela ideia de liberdade a que o ser superior tem direito. Para salvar da miséria a sua mãe e a irmã, Dunia, que vivem na província, e apesar de ser sustentado com o que Dunia ganha como professora, Raskolnikov planifica com absoluta premeditação o assassinato de uma velha avarenta e da irmã, para as roubar. Raskolnikov vê-se como um indivíduo superior, com direito a violar a ordem moral da sociedade e a impor a sua própria moral. No entanto, depois do crime, a consciência e o medo de ser descoberto começam a atormentá-lo.
Ao redor de Raskolnikov há todo um mundo de personagens pecadoras e sem eira nem beira: o bêbado Marmeladov e a mulher, Katerina, que empurrou para a prostituição a sua doce enteada, Sónia, por quem Raskolnikov se apaixona; Dunia, disposta a casar-se com o abjecto Luzhin para ajudar a família; o chantagista Svidrigailov que, ao ver-se rejeitado por Dunia, acaba por se suicidar.
Crime e Castigo reflecte a constante antinomia entre o bem e o mal, o consciente e o inconsciente, o relativismo e a lei moral. "

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

" Era, era ternura o que eu sentia por ti, o que eu sentia correr de ti, e sei lá eu bem, que rio seria aquele que eu via correr pelos teus olhos, quando te olhava e te sentia, aqui, dentro de mim, a correres também para o mar de mágoas que me batiam nas rochas do meu sentir. E era rio ou era mar ? Preciso, meu amor, preciso saber se era rio ou era mar, com que os teus olhos banhavam as praias das minhas mãos estendidas, a quererem dar-te a areia com que modelava corpos de ti, mãos e olhos de ti. Os teus pés, os teus dedos, tudo dançava e atravessava a corrente que corria dos teus olhos, do teu peito. "

José Manuel Arrobas in " A Decadência do Sonho "

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Diário Gráfico

" Inédita a ideia, pioneiro o curso que junta o desenhador e professor Eduardo Salavisa ao escritor Possidónio Cachapa num workshop sobre diários gráficos, esse objecto de «arte de bolso», tão portátil quanto o nosso pensamento, olhos e mãos. Treinar o hábito de escrever e desenhar quotidianamente, desenvolver técnicas de observação e de registo rápido bem como os mecanismos da criatividade, ultrapassar os preconceitos de não ter jeito para escrever ou desenhar e os constrangimentos de trabalhar em público ou conhecer os diários gráficos de artistas como Picasso, Edward Hooper ou Hugo Pratt, são alguns dos objectivos do curso Diário Gráfico, que decorrerá na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, aos fins de tarde de Novembro e Dezembro. Serão dez sessões de três horas, com um custo de 90 euros. Informe-se pelo 213252108 e entretanto espreite em http://www.diariografico.com/ ! "
Informação retirada da " Notícias Magazine "


segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Li " O Retrato " de Nikolai Gógol e ...

" O Retrato " ... excelente forma para quem, como eu, ainda não tinha enveredado e pretende enveredar pelos caminhos da prosa de Nikolai Gógol, pai do romance realista na Rússia.

Nesta obra, o carácter surreal das situações coloca os personagens num plano fantástico entre o sonho e a realidade, entre a arte e a vida. Nas suas acções e atitudes, Gógol faz eclodir os vícios de uma sociedade corrompida pelo supérfluo das aparências e entregue à vaidade, à inveja, à avareza, a um pretensiosismo desmedido.

Na minha opinião, um conto bastante moderno e actual, que leva-nos a reflectir sobre nós próprios e as nossas ambições.

Greguerías ...

Greguería, algaravia, gritaria confusa ... O que gritam os seres confusamente, o que gritam as coisas.
Mas o que são as greguerías ?
Humor + Metáfora = Greguería