quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Li "Sapatos de Rebuçado" e ...

Pressentimentos ... Percepções ... Sabores ...
Abrir este livro, saborear as páginas e sentir o vento da mudança !

Depois de ter lido Chocolate ( também da mesma autora ), ler esta continuação foi simplesmente delicioso. Magia, cheiro e paladar unem-se uma vez mais para nos reconduzir ao mundo encantado de Joanne Harris.
Em Chocolate, Vianne Rocher era uma jovem mãe solteira que passou toda a vida a fugir, sem saber do quê ou porquê, tendo vivido com a mãe nas mais variadas partes do mundo.
Num dia de Carnaval, chega a uma pacata aldeia francesa e decide permanecer definitivamente.
Enfrentando os preconceitos e tradições daquela pequena comunidade, e em particular do nobre residente Reynaud, abre uma invulgar loja de chocolates repleta de tentadoras confecções.
A pouco e pouco, vai descobrindo os segredos dos seus clientes e ao satisfazer os desejos mais íntimos destes com os seus divinos preparos, muda a vida dos aldeões ao sabor dos gostos e preferências de cada um !
Quatro anos depois, e já em Sapatos de Rebuçado, reencontramos Vianne que havia abandonado, com a sua filha Anouk, Lansquenet-sur-Tannes.
Com novas identidades, a agora Yanne Charbonneau vive uma existência calma em Montmartre (Paris), junto das suas duas filhas Annie (Anouk) e Rosette.
Gere uma pequena loja de chocolates e conhece Thierry, um homem mais velho, que apaixona-se por ela e propõe-lhe casamento.
Tudo parece correr em perfeita harmonia até Zozie de l'Alba, a mulher com sapatos de rebuçado, entrar nas suas vidas. Esta é uma feiticeira retorcida que vive coleccionando personalidades. Bela e sedutora, utiliza os seus poderes mágicos para conquistar a confiança de Yanne e assim poder apropriar-se da sua vida e do seu mundo.

Neste livro, acabamos por ver desvendados alguns dos mistérios e pontas soltas deixados em Chocolate. Exemplo disso são os motivos pelos quais Vianne e a sua mãe mudavam constantemente de residência e de identidade.

Gostei das várias perspectivas que o Romance transmite. O facto de cada capítulo corresponder a uma determinada visão dos personagens, aguçou ainda mais a minha curiosidade e vontade de virar rapidamente a página para saber o que iria acontecer a seguir.

Penso mesmo que Sapatos de Rebuçado ao invocar toda a magia que envolve a confecção do chocolate, o fabrico dos doces, o pormenor dos enfeites, ultrapassa Chocolate, conduzindo-o para uma perspectiva mística mais forte !
" Como compreendem, não sou uma ladra. Sou antes de mais e sobretudo uma coleccionadora. Desde os meus oito anos que o sou, coleccionava amuletos para a minha pulseira, mas agora colecciono personalidades: os seus nomes, os seus segredos, as suas histórias, as suas vidas. Claro que algumas para proveito próprio. Mas, sobretudo, é a caça que me seduz: a emoção da perseguição, a sedução, a luta. "

Joanne Harris in "Sapatos de Rebuçado"
" O vento faz coisas curiosas às pessoas, fá-las rodopiar, fá-las dançar. Naquele momento, voltou a fazer de Thierry um rapaz de cabelos desgrenhados, olhos brilhantes e confiante. Às vezes, o vento pode ser sedutor, trazendo consigo ideias extravagantes e sonhos ainda mais extravagantes. Contudo, durante todo o tempo nunca deixei de ouvir o aviso - e mesmo nesse momento acho que soube que, apesar de todo o seu ardor e do seu amor, Thierry le Tresset não podia competir com o vento. "

Joanne Harris in "Sapatos de Rebuçado"
" Não é só o sabor, tentará ela explicar. Uma deliciosa trufa negra com sabor a rum; o travo picante da mistura; a irresistível macieza do recheio e o travo amargo da cobertura de cacau em pó ... Nada disto explica o estranho fascínio das trufas de chocolate de Yanne Charbonneau.
Talvez seja o modo como nos fazem sentir: mais fortes, quiçá, mais poderosos, mais despertos para os sons e aromas do mundo, mais conscientes das cores e texturas das coisas, mais conscientes de nós próprios, do que está sob a pele, da boca, da garganta, da língua sensitiva. "

Joanne Harris in "Sapatos de Rebuçado"
" Olho a chocolaterie. Tem um ar acolhedor, quase íntimo. Velas acesas nas mesas e a montra do Advento iluminada por uma luz rosada. O cheiro a laranja e a cravinho que se evola do perfumador suspenso por cima da porta, a pinheiro da árvore de Natal, a vinho quente açucarado que servimos com o nosso chocolate quente com especiarias e a bolachas de gengibre acabadas de sair do forno. Atrai-os ... aos três e quatro de uma vez ... clientes habituais e não habituais, e turistas também. Detêm-se ao pé da montra, aspiram o aroma e entram, porventura meio atordoados com a profusão de aromas, de cores e das suas guloseimas preferidas nos expositores de vidro - biscoitos de laranja amarga, mendiants du roi, quadrados picantes, trufas com licor de pêssego, papos-de-anjo de chocolate branco, doces aromatizados com alfazema - todas a segredarem num sussurro inaudível ...
Experimenta-me. Saboreia-me. Prova-me. "

Joanne Harris in "Sapatos de Rebuçado"

sábado, 10 de janeiro de 2009

Vou começar hoje a ler ...

" Em Como a Água Que Corre, Marguerite Yourcenar reuniu três novelas escritas na juventude e reformuladas numa época de maturidade literária. Na primeira obra, Anna, Soror ... , surge o tema do incesto, do amor entre irmão e irmã; em Um Homem Obscuro, é traçado o percurso de Natanael, personagem de alma límpida; por fim, em Uma Bela Manhã, o pequeno Lázaro vive não só a sua vida, mas a vida toda, numa companhia de actores ingleses. Em suma, um tríptico onde emerge o requintado talento de uma escritora que foi também, em 1980, a primeira mulher a ingressar na Academia Francesa. "

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O meu candeeiro ...


Aqui está o candeeiro ideal para aquele tipo de leitores que, tal como eu, levam os livros para a cama, só conseguindo adormecer após a leitura de algumas ( por vezes, muitas ) páginas ! ;)

sábado, 3 de janeiro de 2009

Li "Confundir a Cidade com o Mar" e ...

16 contos que fizeram-me viajar no tempo e no espaço ... da Europa aos Estados Unidos, da Argentina ao Brasil, dos anos 50 à actualidade !

16 contos escritos com uma crueza quase chocante ... com uma linguagem rude, ainda que culta !

16 contos que, ao abordarem questões tão pungentes e controversas como o racismo, a homossexualidade, a emigração ou a dificuldade de relacionamento entre as pessoas, exploram a fronteira entre o ser e o parecer, despertando emoções e pensamentos nos leitores !

16 contos que, por características literárias intrínsecas, soltaram a minha imaginação no mundo dos sentimentos, no infinito das interpretações egotistas e intimistas !

16 contos que gostei bastante de ler, tendo sido, no meu ponto de vista, "Ernst" aquele que melhor resultou em termos de criação de uma personagem singular e inesquecível. Ou não fosse Ernst um simpatico robot pintor, artisticamente programado para ser um fiel descendente espiritual directo de todos os mestres, desde Cimabue a Picasso e a Rumi !
" ... não é o facto de publicar que faz de alguém um escritor a sério. Quando lemos as histórias que publicaste, o teu pai e eu ficámos a saber que eras um bom escritor. E aquele teu primeiro romance provou-nos que eras mesmo muito bom. Mas há uma diferença entre um escritor muito bom e um escritor a sério. - Passou a mão pela longa curva do pescoço; estava a juntar as ideias. - Essa tua depressão, essa incapacidade de escrever, é essa a diferença. Só conseguimos perceber se uma pessoa leva qualquer coisa a sério quando há um grande problema. Se passa a outra coisa, é porque não era a sério. A depressão surge quando as pessoas não conseguem tocar para a frente, quando se dedicaram a qualquer coisa que está a afastar-se delas. Pode ser uma mulher ou um homem. Pode ser a dança, ou a música ... ou um filho. Praticamente, toda e qualquer coisa que se ame. Talvez eu seja louca, mas é precisamente a forma como tu andas em baixo ultimamente que me convenceu de que estás mesmo dedicado à escrita, de alma e coração."

Richard Zimler in "Sina de Escarumba"
" Anita disse que se podiam dividir as regiões do mundo segundo o tipo de gordura ou óleo que os seus habitantes utilizam nas respectivas cozinhas. A Europa do Norte, por exemplo, era uma cultura baseada na manteiga; a Europa do Sul, da Provence para baixo, era baseada no azeite. No Brasil e em grande parte da África subsahariana cozinhavam com óleo de palma, enquanto muitos povos do Médio Oriente utilizavam as bolsas de banha existentes na cauda das ovelhas. Em certas extremidades do globo, como o Norte do Canadá, usavam-se outras gorduras animais - de baleia, por exemplo. Ora bem, segundo a Anita, estes diferentes óleos afectam a personalidade. Os que comem manteiga tendem a ser sexualmente puritanos, impassíveis, trabalhadores e responsáveis. Os que usam azeite são mais gregários e sexualmente libertos, mas decididamente pouco fiáveis. E por aí a fora ... Esta teoria também tinha implicações para os conflitos étnicos, como continuou ela a explicar. Por exemplo, os da manteiga e do azeite podiam coexistir relativamente bem. Os do azeite e da banha de ovelha também tendiam a coabitar em paz. Mas quanto aos da manteiga e da banha de ovelha, nunca poderíamos esperar que se dessem bem. Nem os do óleo de palma e os da manteiga. Não tinha tirado conclusões específicas sobre as combinações adequadas para os que cozinhavam com gordura de baleia. - Os povos árcticos tendem a ficar sempre no mesmo sítio - explicou. - Por isso temos poucas provas sobre as misturas que podem fazer. "

Richard Zimler in "Aprender a Amar"

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Os 10 melhores livros de 2008 !


Sem qualquer ordem de preferência, aqui está a lista dos 10 livros que mais gostei de ler em 2008 !

"A Decadência do Sonho" de José Manuel Arrobas
"Narciso e Goldmundo" de Hermann Hesse
"A Metamorfose" de Franz Kafka
"Parábola do Cágado Velho" de Pepetela
"O Eterno Marido" de Fiódor Dostoiévski
"O Velho que lia Romances de Amor" de Luis Sepúlveda
"Ensaio sobre a Cegueira" de José Saramago
"Cemitério de Pianos" de José Luis Peixoto
"Castelos de Raiva" de Alessandro Baricco
"O Leitor" de Bernhard Schlink

50 Livros em 2009 !

Lembram-se do interessante desafio literário proposto pela Canochinha do blog estante-de-livros ?

" Com o aproximar do final de 2008, dei por mim a pensar no total de livros que terei lido durante o ano. Até à data, e de acordo com os registos do blog, li 58 livros (na verdade, serão mais 5 ou 6, sobre os quais acabei por não falar aqui). Apesar de andar com menos tempo para ler do que é costume, penso que ficarei perto dos 75 livros lidos este ano.Tenho visto vários desafios curiosos em blogs literários internacionais, nomeadamente os que fixam uma meta em relação ao número de livros a ler em 2009 (50, 100, etc). Não me parece que consiga "despachar" 100 livros num ano, mas julgo que facilmente chego aos 50. Portanto, a meta que vou fixar são 75 livros (em média, terei de terminar um livro em pouco menos de 5 dias). Vamos ver até onde consigo ir! Desde já, estão convidados a fixarem as vossas metas e a partilhá-las connosco/fazer-lhes referência no vosso blog. "

Desafio aceite, esperando alcançar no decorrer deste ano a meta dos 50 LIVROS ! E já tenho na barra lateral do meu blog a devida aplicação destinada à actualização das minhas leituras ! ;)

Vou começar hoje a ler ...

" Após ter abandonado a aldeia de Lansque-net-sur-Tannes, cenário de Chocolate, Vianne Rocher procura refúgio e anonimato em Paris, onde, juntamente com as suas filhas Anouk e Rosette, vive uma vida pacífica, talvez até mesmo feliz, por cima da sua pequena loja de chocolates. Não há nada fora de comum que as destaque de todos os outros. A tempestade que caracterizava a sua vida parece ter acalmado ... Pelo menos até ao momento em que Zozie de l'Alba, a mulher com sapatos de rebuçado, entra de rajada nas suas vidas e tudo começa a mudar ...
Mas esta nova amizade não é o que parece ser. Impiedosa, retorcida e sedutora, Zozie de l'Alba tem os seus próprios planos - planos que vão despedaçar o mundo delas. E com tudo o que ama em jogo, Vianne encontra-se perante uma escolha difícil: fugir, tal como fez tantas outras vezes, ou confrontar o seu pior inimigo ... Ela própria. "