sábado, 31 de janeiro de 2009

Vou começar hoje a ler ...

« É um prazer de ler, tanto pela fascinante discussão filosófica como pela evocação das mentes excêntricas de Nietzsche e Breuer. »

" Friederich Nietzsche, o maior filósofo da Europa, está no limite de um desespero suicida, incapaz de encontrar cura para as insuportáveis enxaquecas que o afligem.
Josef Breuer, médico distinto e um dos pais da Psicanálise, aceita tratar o filósofo com uma terapia nova e revolucionária: conversar com Nietzsche e, assim, tornar-se um detective na sua cabeça.
Pelas ruas, cemitérios e casas de chá da Viena do Séc. XX, estes dois gigantes do seu tempo vão conhecer-se um ao outro e, fundamentalmente, conhecer-se a si próprios.
E no final não é apenas Nietzsche que exorciza os seus fantasmas. Também Breuer encontro conforto naquelas sessões e descobre a razão dos seus próprios pesadelos, insónias e obsessões sexuais.
Quando Nietzsche chorou funde realidade e ficção, ambiente e suspense, para desvendar uma história superior sobre amor, redenção e o poder da amizade. "

"Quando Nietzsche chorou" de Irvin D. Yalom

Também vou começar hoje a ler ...

« Festas de Casamento é um excelente fresco de Naguib Mahfouz sobre a complexidade das relações humanas, mas também retrata uma sociedade egípcia pouco conhecida entre nós. E quem melhor para nos introduzir no quotidiano cairota que o mais célebre dos escritores egípcios, Nobel de Literatura em 1988. »

" Num ambiente viciado pelo ódio e pelo desespero, o jovem Abbas inicia uma brilhante carreira como dramaturgo, reproduzindo na sua primeira obra os segredos mais íntimos e sórdidos da sua família, facto que desencadeia reacções muito diversas.
O autor conta-nos a mesma história quatro vezes, de quatro pontos de vista diferentes, como se nos achássemos numa sala de espelhos. A realidade e a ficção entrecruzam-se para mostrar uma única escapatória perante o absurdo da existência e da morte: a vontade de transcender qualquer sucesso da própria vida numa tentativa de corrigir os estragos do tempo, que acabam por converter o amor em ódio, a beleza em fealdade, a lealdade em traição e o idealismo em corrupção.
Mediante algumas personagens colocadas diante da fatalidade, Mahfouz compõe uma belíssima ode à esperança, a única capaz de desvelar as miragens da natureza humana. "

"Festas de Casamento" de Naguib Mahfouz

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Li "Os Novos Mistérios de Sintra" e ...

O título do livro foi motivo mais do que suficiente para decidir-me a levá-lo para casa.
Mistérios ... Sintra ... Quinta da Regaleira ... Maçonaria ... Templários ... algo me dizia que esperavam-me momentos de leitura misticamente agradáveis.
Aliado à minha paixão por Sintra e por tudo aquilo que transpire esoterismo, juntou-se uma natural curiosidade pelo tipo de enredo colectivo que havia sido criado.

O desafio era simples e afigurava-se bastante interessante: sete escritores reuniam-se com o intuito de conceber uma história de mistério envolvendo Sintra e um tesouro antiquíssimo. Ou seja, um autor começava e o outro que se seguia tinha que dar continuidade ao capítulo.

Todavia, o resultado revelou-se uma verdadeira desilusão, pelo menos para mim.
Foi notória a inexistência de um padrão de coerência indispensável a este género de projecto.
A cada capítulo surgiam temas novos, por vezes sem qualquer tipo de relação com os anteriores. Eram acrescentados pormenores ou elementos completamente diferentes, talvez de acordo com simpatias ou tendências de cada um.
Confesso que não foram poucas as alturas em que tive de retroceder páginas e reler excertos, de forma a conseguir entender minimamente a lógica daquela continuidade !

É uma pena, pois perante a inegualável qualidade dos escritores envolvidos e a criatividade inerente a este género de exercício, o resultado poderia ter sido bastante mais interessante !
" ... em Sintra perde-se a atenção a tudo o mais. A Serra agarrava-nos no olhar e deixava-nos num extâse sempre novo. ( ... )
À minha frente, a Serra não me deixava ver mais nada. A minha Serra da Lua. Serra de todos os variantes do verde. Cascatas de verde tecendo um tapete de sombras e magia. Nunca me entregara a nenhuma paisagem como a Sintra.
Não era original o meu pecado. Aquela era a Serra que tinha encantado Lord Byron, H.C. Andersen ou Fernando Pessoa, e que não deixava de me entontecer e reacender a centelha do poeta que eu trazia eternamente adiado dentro de mim. "

Excerto retirado de "Os Novos Mistérios de Sintra"

" A profissão policial é maioritariamente prosaica e sistemática, o oposto das zonas brumosas do inexplicável. Lida pouco com o mistério e muito com a mentira. Quando algo de estranho ocorre, as mentes treinadas na forja aristotélica insistem na perspectiva do concreto, o mistério é o ainda não conhecido, ou seja negam liminarmente o mistério.
Mas neste caso do tal Gonçalo Vieira, o mistério está presente. Tudo nele cheira a mistério. Reitero o que disse, cheira a mistério ! O odor é um dos sentidos menos treinados pelo homem e dos mais utilizados pelos animais. E digo-vos que o olfacto é fundamental para captar o que a realidade concede sugerir-nos !

Excerto retirado de "Os Novos Mistérios de Sintra"

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Li "Nenhum Olhar" e ...

Este romance, que recebeu o prémio literário José Saramago em 2001, descreve um universo no qual a paisagem rural alentejana literalmente desenha o destino dos personagens. É uma paisagem romanesca, elementar, mínima, constituída pela planície horizontal, o céu, o sol e as estrelas.

Tendo como pano de fundo uma severa pobreza, o autor vai construindo histórias de homens e mulheres, endurecidos pela fome e pelo trabalho, de amor, ciúme e violência.

O livro está dividido em duas grandes partes, e, mais do que por páginas, por 30 anos que acompanham a trajectória de um pequeno grupo de pessoas, sendo que algumas delas, como a cozinheira ou o velho Gabriel, estabelecem a ligação entre essas partes.
Ao longo das páginas encontramos um mundo à parte, um mundo íntimo da essência rural do povo português, ainda preso às suas crenças.
Deparamo-nos também com um universo imaginário, no qual habitam elementos fantásticos de que são exemplos o diabo, o gigante ou a cozinheira escultora de comida.

Apesar de episódios terrivelmente marcantes, profundamente dolorosos, dor essa que cobre o livro de ponta a ponta, gostei bastante da sua leitura pelas mais variadas razões: uma história e um mundo brilhantemente construídos; constantes mudanças do ponto de vista narrativo; ritmo de leitura que, apesar de não ter uma adaptação fácil, prende-nos do princípio ao fim; qualidade da escrita e, finalmente, pela profundidade subtil que José Luís Peixoto soube dar às suas personagens.

"Nenhum olhar" de José Luís Peixoto ( 3º livro lido em 2009 ... 888 páginas lidas )
" ... O mundo acabou. E não ficou nada. Nem as certezas. Nem as sombras. Nem as cinzas. Nem os gestos. Nem as palavras. Nem o amor. Nem o lume. Nem o céu. Nem os caminhos. Nem o passado. Nem as ideias. Nem o fumo. O mundo acabou. E não ficou nada. Nenhum sorriso. Nenhum pensamento. Nenhuma esperança. Nenhum consolo. Nenhum olhar. "

José Luís Peixoto in "Nenhum Olhar"
" OS HOMENS SÃO UMA PARTE PEQUENA DO MUNDO, e eu não compreendo os homens. Sei o que fazem e as razões imediatas do que fazem, mas saber isso é saber o que está à vista, é não saber nada. Penso: talvez os homens existam e sejam, e talvez para isso não haja qualquer explicação; talvez os homens sejam pedaços de caos sobre a desordem que encerram, e talvez seja isso que os explique. "

José Luís Peixoto in "Nenhum Olhar"

" Penso: talvez haja uma luz dentro dos homens, talvez uma claridade, talvez os homens não sejam feitos de escuridão, talvez as certezas sejam uma aragem dentro dos homens e talvez os homens sejam as certezas que possuem. "

José Luís Peixoto in "Nenhum Olhar"

domingo, 25 de janeiro de 2009

Morre lentamente ...

"Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo. Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar. Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece. Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru. Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos. Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos. Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante. Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe. Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade."

Pablo Neruda

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Vou começar hoje a ler ...

Através dos livros e das palavras, um homem reconcilia-se com a vida e com o amor.

" Em Silêncio, Amor é uma história de amor e perda de um homem que viveu toda a sua vida rodeado de livros, música, pintura ou cinema. Thomas Wartet, autor de livros infantis, decide abandonar a escrita e a vida cosmopolita após a morte de Elisa, sua mulher. Mas ao descobrir-se acompanhado pelo que crê ser o fantasma de Elisa, atinge um estado de serenidade que lhe permite interessar-se de novo pelo mundo que o rodeia.

Este entusiasmo leva-o a oferecer o livro Alice no País das Maravilhas à menina que vai todos os dias ler para a livraria que fica em frente de sua casa. Recupera mesmo o hábito de escritor e inicia uma viagem que o faz perder-se entre a imaginação e a memória do filho há muito desaparecido.

À medida que vai escrevendo, vai aumentando a dor pela ausência do filho com quem não fala há anos. O dia de Natal traz surpresas. Mas conseguirá Thomas Wartet recuperar o que perdeu noutros tempos e voltar a encontrar-se com a felicidade ? "

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Li "As herdeiras de Adriano Gentil" e ...

Adriano Gentil era um empresário bem sucedido, que tendo subido a pulso nos negócios, viveu com cinco mulheres diferentes.
Madalena, Alda, Maria Manuel, Laura e Ivone, cada uma com essências, personalidades e formas de estar na vida intrínsecas, complementaram-no nas diversas fases da sua existência, como se fossem peças de uma engrenagem evolutiva.
A todas Adriano amou e respeitou de igual forma, tendo-as beneficiado no testamento também de modo similar, com a condição de não voltarem a casar.
Romance que, ao percorrer as sinuosidades da mente feminina, e, numa constante reviravolta de emoções, ambições e manipulações, proporcionou-me momentos de leitura agradáveis e divertidos.
" Enquanto a Madalena era uma imagem, a Alda um símbolo da ordem, a Maria Manuel uma cavaleira insaciável e a Laura um anjo, a Ivone era um objecto sexual, uma maçã proibida. "
( ... )
" Segundo a moral estabelecida, eu tive demasiadas mulheres. Mas, olhando para trás, não consigo prescindir de nenhuma. Como já expliquei neste relato quase póstumo, era como se as cinco formassem uma mão, em que cada dedo só faz sentido em conjugação com os outros e não é possível prescindir de nenhum. "

José António Saraiva in "As herdeiras de Adriano Gentil"
" Adriano era um homem metódico em tudo e essa disciplina prolongava-se na intimidade. Começava sempre pelo princípio: por descalçar as mulheres que desejava. Depois despia-as com vagar, peça a peça, nunca parando de falar, até ficarem completamente nuas. Soltava-lhes então os cabelos, beijava-lhes os lábios, o queixo e o pescoço, mordiscava-lhes todas as saliências - os lóbulos das orelhas, o nariz e os mamilos -, afagava-lhes a pele como se alisasse veludo, pela frente e por trás, massajava-lhes as costas, as nádegas, os músculos das pernas e as plantas dos pés, lambia-lhes o tronco desde a base dos seios até ao início das coxas, sorvia-lhes finalmente o ventre com o mesmo requinte com que saborearia ostras ( com a única diferença de que apreciava menos os frutos do mar ).
O que se passava a seguir manda a moral que não se conte. "

José António Saraiva in "As herdeiras de Adriano Gentil"

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Vou começar hoje a ler ...

" Portugal, anos 30.
Salazar acabou de ascender ao poder e, com mão de ferro, vai impondo a ordem no país. Portugal muda de vida. As contas públicas são equilibradas, Beatriz Costa anima o Parque Mayer, a PVDE cala a oposição.
Luís é um estudante idealista que se cruza no liceu de Bragança com os olhos cor de mel de Amélia. O amor entre os dois vai, porém, ser duramente posto à prova por três acontecimentos que os ultrapassam: a oposição da mãe da rapariga, um assassinato inesperado e a guerra civil de Espanha.
Através da história de uma paixão que desafia os valores tradicionais do Portugal conservador, este fascinante romance transporta-nos ao fogo dos anos em que se forjou o Estado Novo.
Com A Vida num Sopro, José Rodrigues dos Santos confirma a sua mestria e o lugar que já ocupa nas letras protuguesas. "

"A Vida num Sopro" de José Rodrigues dos Santos