sábado, 28 de fevereiro de 2009

Liberdade

" Ser livre é querer ir e ter um rumo e ir sem medo,
mesmo que sejam vãos os passos.
É pensar e logo
transformar o fumo
do pensamento em braços.
É não ter pão nem vinho,
só ver portas fechadas e pessoas hostis
e arrancar teimosamente do caminho
sonhos de sol
com fúrias de raiz.
É estar atado, amordaçado, em sangue, exausto
e, mesmo assim,
só de pensar gritar
gritar
e só de pensar ir
ir e chegar ao fim. "

Armindo Rodrigues ( Lisboa, 1904-1993 )

Comecei a ler ...

" Publicado por volta de 1868-1869, O Idiota é, porventura, dos cinco grandes romances de Dostoiévski, o mais perfeito - na composição, no estilo, no aprofundamento dos caracteres. Foi também, de todos os romances do autor, o mais incompreendido na sua época. Dostoiévski pretende, segundo as suas próprias palavras, «criar a imagem do homem positivamente bom», uma encarnação da beleza, da bondade e da humildade, figura de herói entre Dom Quixote e Cristo, mostrando o que pode acontecer a um homem assim, em contacto com a realidade. Como sempre, nos romances do autor, são dramatizados os problemas sociais, filosóficos e morais da época, tratamento a que o génio de Dostoiévski confere uma força e uma amplitude que fazem deste romance uma obra de todos os tempos. Traduzido directamente do russo por Nina Guerra e Filipe Guerra, é um verdadeiro monumento literário, escrito durante a fase mais produtiva da vida de Dostoiévski. "

"O Idiota" de Fiódor Dostoiévski

Também comecei a ler ...

" A Feiticeira de Florença é a história de uma mulher que procura ser senhora do seu próprio destino num mundo de homens. Irmana duas cidades que quase não se conhecem: a hedonista capital mogol, onde o inteligente imperador se debate diariamente com questões de crenças, desejos e a traição dos filhos, e o mundo florentino, igualmente sensual, de poderosos cortesãos, filosofia humanista e desumana tortura. Estes dois mundos, tão distantes, acabam por se revelar estranhamente semelhantes, e ambos são dominados pelos encantamentos das mulheres. "

"A Feiticeira de Florença" de Salman Rushdie

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Li "Mentiras no Divã" e ...

"Mentiras no Divã" é uma história que de forma inteligente aborda a moralidade das terapias e a complexidade das emoções humanas.
Explora a ética profissional nas relações interpessoais paciente-terapeuta, tantas vezes ilusórias para ambas as partes.
Direccionando este romance para os seus colegas de profissão, o psiquiatra Irvin D. Yalom desnuda o lado humano daqueles habituados a ouvir e a orientar, através da exemplificação das suas fraquezas, desejos e pecados.
O autor disseca o relacionamento de três analistas com os seus doentes e revela um olhar ironicamente complexo sobre o que realmente se passa nas suas mentes.
Assim, envolvemo-nos nos enredos de três psicoterapeutas diferentes:
- Seymour Trotter, ex-presidente da Associação Psiquiátrica Americana, envolve-se com uma paciente mais jovem, sendo expulso da referida associação;
- Ernest Lash, preocupado com questões existenciais e contrariando as indicações do seu orientador, arrisca uma nova forma de abordagem psicanalítica, advindo desta experiência consequências simultaneamente imprevisíveis e inesperadas;
- Por último, o vaidoso e falso moralista Marshal Streider que, cego pela ganância e obcecado com a dolce vita dos ricos, cai num belo 'conto do vigário' !

A leitura desta obra revelou-se também muito interessante, se bem que completamente diferente da de "Quando Nietzsche chorou".
Se nesta última encantaram-me as visões filosóficas sobre psicanálise e estados de alma, a sucessão de diálogos construtivos e enriquecedores, tão duros como inteligentes, e a troca de experiências entre filosofia e psicologia, em "Mentiras no Divã" cativaram-me não só o ácido desnudar das fraquezas humanas, mas também o brilhante desenlace desenvolvido por Yalom. De facto, e ao contrário de "Quando Nietzsche chorou" em que o título por si só deslinda logo desde o início o desenrolar do enredo, não constituindo qualquer surpresa a 'rendição final' de Nietzsche, em "Mentiras no Divã" o escritor proporciona ao leitor aquilo que ele quer, mas não da forma como estaria à espera, pressuposto este essencial a qualquer bom epílogo !
" - Tem feito muita terapia ao longo dos anos, incluindo análise e diz que os resultados foram positivos, mas não esconde que ganhou muito com o ikebana.
( ... )
- Pelo que me disse, o ikebana proporciona uma escapatória da ansiedade, um refúgio tranquilo. A disciplina necessária ajuda-o a concentrar-se e permite um sentimento de harmonia e equilíbrio. Deixe-me ver se recordo mais coisas que tenha dito ... Ah, sim. Que o ikebana o inspira a expressar a sua criatividade e sensibilidade estética. E foi tão brusco a negar-lhe o potencial. Lembre-se de que é uma prática venerável com origens que remontam há muitos séculos e que é praticada por dezenas de milhar de pessoas. Sabe muito sobre o assunto ?
( ... )
- Já ouvi falar de terapia através da poesia, da música, da dança, da arte, da meditação ou de massagens. E admitiu que trabalhar com as suas árvores bonsai ao longo destas últimas semanas lhe salvou a sanidade mental. Não será possível que a terapia por ikebana possa ter resultados em alguns pacientes ? - perguntou Carol. "

Irvin D. Yalom in "Mentiras no Divã"
« O que contava para si e para a maioria dos analistas era a profundidade da mudança. A profundidade era tudo. Psicanalistas em toda a parte sabiam que, quanto mais profunda a exploração, mais eficaz a terapia. "Vai ao fundo", conseguia ouvir a voz de Bob McCallum, o seu orientador psicanalítico, "vai ao fundo dos recantos mais ancestrais da consciência, toca os sentimentos primitivos, as fantasias arcaicas, regressa às camadas primordiais da memória, apenas então serás capaz de desenraizar inteiramente a neurose e conseguir uma cura analítica efectiva.
Mas a terapia profunda perdia a batalha. As hordas bárbaras do espírito prático estavam por toda a parte. ( ... ) O inimigo estava suficientemente próximo para Marshal conseguir ver as suas inúmeras faces: análise biológica e descontracção muscular para problemas de ansiedade, implosão ou redução da sensibilidade para fobias, drogas para a distimia e distúrbios obsessivos-compulsivos, terapia cognitiva de grupo para distúrbios alimentares, treino assertivo para os tímidos, grupos de respiração diafragmática para pacientes sujeitos a ataques de pânico, treino em competências sociais para os reclusos, intervenções hipnóticas singulares para os fumadores e os malditos programas em doze passos para tudo o resto ! »

Irvin D. Yalom in "Mentiras no Divã"

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Sou um Livro em Branco !

Foi também com um sorriso divertido que aceitei o desafio da Rádio Comercial "Se fosse um livro, qual seria ?"
E o resultado ...


Não podia concordar mais com este resultado !
É um facto que a minha vida é escrita a cada dia que passa e que sou fã da imprevisibilidade. Igualmente, tenho verdadeira alergia a rotinas e não, até agora ninguém se juntou a mim a cantar bem alto no meio do trânsito ! ;)
Faça aqui o teste e descubra também que livro é !

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Porque o mundo quer saber mais sobre mim !


Foi com um sorriso divertido que recebi este prémio do blog viajar pela leitura !
Obrigada, Paula ... és uma querida ! ;)

Associado a este selo vêm algumas regras, que passo a citar:
- Publicar o link da pessoa que o/a nomeou;
- Escrever as regras no blog;
- Contar 6 coisas aleatórias sobre si;
- Indicar mais seis pessoas e colocar os respectivos links no final do post;
- Avise as pessoas que indicou, deixando um comentário nos seus blogs;
- Deixe os indicados saberem quando publicar o seu post.

Seis coisas sobre mim:
1. Divirto-me mais e reajo com mais ilusão perante desafios ou novos estímulos e projectos, do que em histórias consolidadas;
2. Sou viciada em chocolate e nos gelados Santini;
3. Para mim, a tranquilidade é um anátema: tenho que estar sempre a fazer muitas coisas, a maior parte das vezes sem qualquer relação entre si;
4. Detesto hipocrisias, convencionalismos ou preconceitos intelectuais;
5. Não consigo viver longe do mar;
6. Sinto muito orgulho da minha ascendência oriental: a minha bisavó era chinesa ( nasceu em Cantão ou Guangzhou ) e as minhas avós, tanto materna como paterna, são macaenses. Daí o meu interesse, empatia e total identificação com vários preceitos da cultura oriental, estando actualmente a tentar recuperar para mim o apelido familiar chinês Ngân.

E porque o mundo quer saber mais sobre os outros blogs, os nomeados são:

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Livreiro ... uma figura rara !

" Muitas vezes se diz que já não há livreiros como antigamente. Que são uma espécie em vias de extinção. Que as grandes cadeias acabaram com eles. Que o empregado que nos atendeu não sabe o que está a fazer, etc., etc. De facto, tudo isto é verdade. Mas isto acontece simplesmente porque o livreiro é uma figura rara. Existiram e existem muito poucos livreiros, e sempre foi assim.Se definirmos os livreiros apenas como aqueles que negoceiam em livros, então, existem muitos. Mas se definirmos o livreiro como aquele que gosta, conhece, lê e vende livros, então, existem muito poucos. O livreiro é um autodidacta, não há nenhum curso que o possa formar. Isto é, claro que se pode e deve dar formação a uma pessoa que quer trabalhar numa livraria ou que, enquanto gestor ou empresário, pretende criar uma, no entanto, ser livreiro é outra coisa. Ser livreiro é muito mais do que simplesmente vender livros (para isso existem vários truques), tem de saber dignificá-los, amá-los, conhecer a sua história, saber o interior de muitos, interessar-se por quem os escreve e por que os escreve daquela maneira. Tem de conhecer toda a cadeia do livro, desde que nasce na mão do autor até chegar à mão do leitor, tem de saber vendê-lo honestamente, divulgá-lo, incentivar a leitura, só assim, poderá reivindicar para si um papel importante como agente cultural. "

Texto de opinião da autoria de Jaime Bulhosa

Gostei bastante e revi-me completamente nesta opinião de Jaime Bulhosa !
As suas palavras se por um lado reflectem e como que compreendem claramente a desilusão que sofri há poucos meses atrás, por outro lado, dão-me ânimo para continuar a perseguir o meu sonho e tudo aquilo que com ele se relacione ( o universo dos livros ) !
Faço minha a sua reflexão !

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Prémio "Blog de Ouro"

Obrigada, Rita Mello, pela distinção ! ;)

As regras são as seguintes:
- Copiar o selo e colocar no blog;
- Fazer referência ao nome de quem atribuiu o prémio e publicar o respectivo link;
- Premiar seis blogs que sejam uma inspiração para si;
- Deixar um comentários nos blogs escolhidos para que saibam que foram premiados.

E os nomeados são:
Crimemistério
Lector in Fabula
O Cantinho do Bookoholic
Projecto / Lê
Unitas Multiplex
Viajar pela Leitura

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Eu e o Cristiano começámos a ler ...

" Guerra e Paz, escrito entre 1865 e 1869, é, sem dúvida, a obra-prima do grande escritor e aquela que mais o fixou na memória da posteridade.
Tomando como moldura as campanhas napoleónicas de 1805 e 1812, Tolstoi traça-nos um quadro assombroso da Rússia do Séc XIX, sobretudo da sua alta sociedade, presente nas famílias Bolkonsky e Rostov.
Largo fresco histórico, enriquecido por análises psicológicas de grande profundidade, Guerra e Paz é também o repositório da filosofia do próprio Tolstoi, com o seu amor pelos humildes e a sua simpatia por todos aqueles que - desde o soldado Karataiev até ao general Kutuzov - renunciaram a toda a concepção agressiva da existência. "

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Li "Cão Como Nós" e ...

São 117 páginas alegres e comoventes que desnudam o vínculo construído sem palavras entre um Homem e o seu cão !
Kurika ... assim era o nome deste animal dotado de uma personalidade muito especial e retratado como um ser único.
Apesar de assumir-se como mais um membro da família, copiando as pessoas que o rodeavam e imitando os seus comportamentos, não deixava de ignorar as regras da casa e criar as suas próprias normas.
Página sim, página não, temos os relatos alternados de um narrador que apesar de o saber diferente, durante muito tempo acreditou que o cão era cão e deveria ser convencido de tal realidade. Todavia, com a sua morte, acabou por compreender que aquele era um personagem definitivo no enredo familiar. Era o olhar atento, a alegria, a aproximação silenciosa, o corpo entre os pés, as manifestações durante as apresentações musicais, a empatia, a solidariedade, a presença.
Perante esta narrativa simples, dotada de uma linguagem poeticamente viva, é impossível não deixarmo-nos levar pela comoção perante a morte de Kurika.
Confesso mesmo que nas derradeiras páginas não pude deixar de sentir aquela 'lágrima no canto do olho' ! Adoooooooooooooooro animais !!! Tenho 2 cães e melhor que ninguém sei e sinto o quanto eles são cães como nós ! ;)
" - Será que o cão tem espírito ?, perguntou-me o filho do meio.
Olhei para ele surpreendido. E acabei por responder:
- Não sei sequer se nós próprios temos espírito ou se é o espírito que nos tem ou está em nós.
- É isso o que eu queria dizer. Olha para ele.
Era um fim de tarde de Agosto, o cão estava parado frente ao mar, o pêlo muito luzidio, a cabeça levantada, narinas abertas, sorvendo o ar.
- Ele está a cheirar o espírito. O espírito da terra, o espírito do vento, o espírito das águas. "

Manuel Alegre in "Cão Como Nós" ( 8º livro lido em 2009 ... 2332 páginas lidas )

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009