
" - Sabe o que têm de melhor os corações despedaçados ? - perguntou a bibliotecária.
Fiz-lhe um sinal negativo.
- Só se podem despedaçar uma vez. Tudo o resto são arranhões. "
Carlos Ruiz Zafón in "O Jogo do Anjo"


" - ... há muitas pessoas que têm talento e vontade, e muitas delas nunca chegam a lado nenhum. Esse é apenas o princípio para se fazer alguma coisa na vida. O talento natural é como a força de um atleta. Pode-se nascer com mais ou menos faculdades, mas ninguém consegue ser um atleta simplesmente por ter nascido alto ou forte ou rápido. O que faz um atleta, ou um artista, é o trabalho, o ofício e a técnica. A inteligência com que se nasce é simplesmente a munição. Para se chegar a fazer alguma coisa com ela é necessário transformarmos a nossa mente numa arma de precisão.
Uma vez mais, adorei este livro de Haruki Murakami, cuja escrita viciante prende-nos incondicionalmente ao percurso de um conjunto de personagens que se vão conhecendo ao longo da madrugada e que, apesar de inicialmente pouco ou nada terem a ver umas com as outras, acabam por partilhar um acontecimento comum.
" - Sabes, não podemos traçar uma linha para dividir as nossas vidas e dizer que aqui é a luz e aqui é a sombra. Existe uma zona de sombras no meio, marcada pela semiobscuridade. Faz parte da inteligência saudável reconhecer esses matizes, compreendê-los. E adquirir esse inteligente conhecimento das coisas, implica tempo e esforço. "
Considerado o auge da narrativa longa do Séc. XIX, Madame Bovary é um dos mais belos e elaborados romances escritos durante a História da Humanidade.
" - O dever ! Caramba ! O dever é sentir aquilo que é grande, amar o que é belo e não aceitar todas as convenções da sociedade, com as ignomínias que ela nos impõe.
" - Tenho uma religião, a minha religião, e até tenho mais que todos eles com as suas momices e imposturas ! Pelo contrário, creio em Deus ! Creio no ser supremo, num Criador, seja ele quem for, pouco importa, que nos pôs neste mundo para cumprir os nossos deveres de cidadãos e chefes de família; mas não tenho necessidade de ir a uma igreja beijar salvas de prata e engordar à minha custa uma cambada de farsantes que vivem melhor do que nós ! Posso honrar a Deus da mesma maneira num bosque, num campo, ou até contemplando a abóbada etérea, como os antigos. O meu Deus é o mesmo de Sócrates, de Franklin, de Voltaire e de Béranger ! Eu sou pela profissão de fé do vigário saboiano e pelos princípios imortais de 89 ! Por isso não admito que Deus seja assim um sujeito que ande a passear no seu jardim de bengala na mão, instale os seus amigos no ventre das baleias, morra soltando um grito e ressuscite ao cabo de três dias: coisas absurdas por si mesmas e completamente opostas, além disso, a todas as leis da física; diga-se de passagem que tudo isso prova que os padres estagnaram sempre numa torpe ignorância, onde se esforçam por atolar também as populações. "
" Um escritor nunca esquece a primeira vez em que aceita umas moedas ou um elogio a troco de uma história. Nunca esquece a primeira vez em que sente no sangue o doce veneno da vaidade e acredita que, se conseguir que ninguém descubra a sua falta de talento, o sonho da literatura será capaz de lhe dar um tecto, um prato de comida quente ao fim do dia e aquilo por que mais anseia: ver o seu nome impresso num miserável pedaço de papel que certamente lhe sobreviverá. Um escritor está condenado a recordar esse momento pois nessa altura já está perdido e a sua alma tem preço. "
Sinopse
" ... as mulheres estão presas às estrelas por fios invisíveis ... A lua atrai as marés e faz com que as plantas se abram em flor. Essa mesma energia atravessa as mulheres. Harmonizadas com os astros, ainda que não o saibam, todas as mulheres têm vocação para o infinito. Os homens, pelo contrário, estão soltos no universo como gravetos num rio. Só as mulheres podem salvar os homens de se perderem no caos ... "