Fiel ao seu estilo sarcástico e irónico, José Saramago apresenta-nos neste romance um quadro muito interessante: narra os conflitos provocados pela decisão da Morte de abandonar a sua actividade, ou seja, num país não identificado, a partir do momento em que se brinda um novo ano as pessoas pura e simplesmente não morrem.Se a reacção inicial da população é de euforia e alegria, rapidamente transforma-se num motivo de preocupação, pelo impacto político, económico, social e até religioso da nova situação.
A ausência de mortes de um dia para o outro, sonho milenar da Humanidade, converte-se repentinamente numa dor de cabeça para governantes e cidadãos.
E é descrevendo as reacções das diversas instituições e entidades ( Igreja, Comunicação Social, Filósofos, Economistas, Hospitais, Companhias Seguradoras, Agências Funerárias, entre outras ) que o autor vai tecendo duras críticas à Sociedade Moderna.
Efectivamente, e além de fazer-nos olhar para a morte sob um prisma completamente diferente, leva-nos a reflectir sobre algumas questões importantes tais como o egoísmo, a extorsão, a falta de união e amor familiar, a corrupção, a eutanásia e até nós próprios.
Para não variar, diverti-me imenso com a leitura de mais um dos enredos impossíveis de José Saramago, tendo mesmo chegado a sentir alguma simpatia pela personalidade humana, demasiada humana da personagem Morte.
Enfim, um livro que recomendo vivamente ! ;)
( 41º livro lido em 2009 ... 9825 páginas lidas )



" Tu, que me seduzias











