Pois é, desafio concretizado a 17 de Dezembro com a leitura de "Os da minha Rua" de Ondjaki ( 50º livro lido em 2009 ... 12315 páginas lidas ) ! ;)
Para 2010, avizinham-se outros tipos de objectivos, sobre os quais escreverei mais tarde !
" O poder que a dor da perda tem de perturbar a mente foi de facto observada até à exaustão. O acto de chorar a perda de alguém, disse-nos Freud no seu Luto e Melancolia de 1917, «envolve desvios graves da atitude normal perante a vida». No entanto, observa ele, a dor da perda continua a ser considerada à parte dos outros distúrbios: «Nunca nos ocorre considerá-la uma situação patológica e enviá-la para tratamento médico.» Em vez disso, confiamos que «será ultrapassada após um certo lapso de tempo». Consideramos «qualquer interferência inútil e até prejudicial». Melanie Klein, no seu Mourning and Its Relation to Maniac-Depressive States, de 1940, faz uma afirmação semelhante: «Quem chora uma perda está, de facto, doente, mas, porque este estado mental é vulgar e nos parece muito natural, não classificamos de doença o acto de chorar essa perda ...
Em "A elegância do Ouriço", Muriel Barbery consegue formidavelmente reunir representantes das diversas classes sociais de França, os quais convivem na pacata rotina de um prédio rico e tradicional.
"A senhora Michel tem a elegância do ouriço: exteriormente, está coberta de espinhos, uma autêntica fortaleza, mas pressinto que, no interior, também é tão requintada como os ouriços, que são uns animaizinhos falsamente indolentes, ferozmente solitários e terrivelmente elegantes."
" Para que serve a Arte ? Para nos dar a breve mas fulgurante ilusão da camélia, ao abrir no tempo uma brecha emocional que parece irredutível à lógica animal. Como nasce a Arte ? Nasce da capacidade que o espírito tem de esculpir o domínio sensorial. O que faz a Arte por nós ? Dá forma às nossas emoções e torna-as visíveis e, ao fazê-lo, apõe-lhes o selo de eternidade que ostentam todas as obras que, através de uma forma particular, sabem encarnar a universalidade dos afectos humanos.
" Tinha eu então trinta anos, e era tenente da marinha, quando me encarregaram de uma missão astronómica na Índia central.
Genial este filme produzido pela Colenso BBDO Animated para a NZ Book Council ! ;)
De uma forma bastante original somos conduzidos por Martin Gayford até uma pequena cidade solarenga de província no Sul de França, Arles.E é assim que ao longo de 9 semanas e 326 páginas embrenhamo-nos numa das mais espantosas maratonas criativas da arte ocidental.Adorei esta obra biográfica, recomendando-a a todos aqueles que, tal como eu, são apaixonados por literatura e pintura ! ;)
" Vincent era efectivamente romântico. Procurava um compromisso apaixonado com aquilo que pintava, fosse uma pessoa, um local ou uma coisa. Esparramava e esmagava tubos de pigmento na tela como se quisesse sentir o tacto e o cheiro do material. Gauguin, pelo contrário, preferia um «estado primitivo.» Queria a simplicidade e poesia de uma era anterior; amava Botticelli, a Grécia Antiga, a Pérsia, a Idade Média, as artes exóticas dos países quentes, e admirava os metódicos pintores clássicos - Degas, que idolatrava Ingres, que por sua vez venerava Rafael. Esta maneira fria e linear, que exprimia sensações quentes e exóticas, interessava pouco a Vincent. Tal como a disciplina, formal mas um pouco diferente, de Cézanne. Gauguin exagerava ou deturpava algumas das aversões do seu companheiro de casa: Vincent venerava Degas, mas chegava a ser severo em relação a Cézanne. "
" Então, bebamos uma chávena de chá. 
Fiel ao seu estilo sarcástico e irónico, José Saramago apresenta-nos neste romance um quadro muito interessante: narra os conflitos provocados pela decisão da Morte de abandonar a sua actividade, ou seja, num país não identificado, a partir do momento em que se brinda um novo ano as pessoas pura e simplesmente não morrem.
" Wagner via-se como um João Baptista da música; e profetizava que outros viriam depois dele e criariam as obras de arte do futuro. Vincent previa que, no futuro, um pintor faria com a cor aquilo que Wagner tinha feito com o som: misturá-la em novas e belas combinações que apaziguariam o espírito e falariam à alma: «Chegará o dia.»