
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Library Hotel

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Hotel-Biblioteca
domingo, 27 de dezembro de 2009
A minha mesinha-de-cabeceira
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Arte e Livros
sábado, 26 de dezembro de 2009
Desafio '50 livros em 2009' concretizado !
Pois é, desafio concretizado a 17 de Dezembro com a leitura de "Os da minha Rua" de Ondjaki ( 50º livro lido em 2009 ... 12315 páginas lidas ) ! ;)
Para 2010, avizinham-se outros tipos de objectivos, sobre os quais escreverei mais tarde !
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Desafios literários
" O poder que a dor da perda tem de perturbar a mente foi de facto observada até à exaustão. O acto de chorar a perda de alguém, disse-nos Freud no seu Luto e Melancolia de 1917, «envolve desvios graves da atitude normal perante a vida». No entanto, observa ele, a dor da perda continua a ser considerada à parte dos outros distúrbios: «Nunca nos ocorre considerá-la uma situação patológica e enviá-la para tratamento médico.» Em vez disso, confiamos que «será ultrapassada após um certo lapso de tempo». Consideramos «qualquer interferência inútil e até prejudicial». Melanie Klein, no seu Mourning and Its Relation to Maniac-Depressive States, de 1940, faz uma afirmação semelhante: «Quem chora uma perda está, de facto, doente, mas, porque este estado mental é vulgar e nos parece muito natural, não classificamos de doença o acto de chorar essa perda ...Para expressar a minha conclusão de forma mais exacta diria que, no acto de chorar a perda, o sujeito passa por um estado maníaco-depressivo modificado e transitório e supera-o. "
Joan Didion in "O Ano do Pensamento Mágico" ( 49º livro lido em 2009 ... 12191 páginas lidas )
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Excertos
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Li "A elegância do Ouriço" e ...
Em "A elegância do Ouriço", Muriel Barbery consegue formidavelmente reunir representantes das diversas classes sociais de França, os quais convivem na pacata rotina de um prédio rico e tradicional.É neste exemplar da sociedade francesa, recheado de moradores ricos, snobes, egoístas e preconceituosos, que destacam-se duas pessoas: a porteira Reneé Michel e a pequena Paloma Josse.
A primeira, longe de corresponder aos estereotipos sociais a que se associa a sua função ( nutre em segredo um amor extremado às letras e às artes ) tenta manter a todo o custo uma imagem credível. Já a pequena Paloma é a típica criança incompreendida, filha de uma figura proeminente da política e de uma mãe dondoca, que procura descobrir algum sentido na vida, caso contrário cometerá suicídio no seu aniversário de treze anos.
Ambas, cada qual no seu universo particular, são observadoras refinadas da natureza humana nas suas mais diversas facetas.
E é quando um novo habitante, Kakuro Ozo, chega ao prédio, que estes dois mundos paralelos, inicialmente separados, encontram-se. Em pouco tempo, este personagem descobre segredos e cria amizades/cumplicidades estranhas, através de uma grande qualidade sua - ver para além da superfície.
A dinâmica da história é extremamente interessante, porque, ao ser contada na primeira pessoa e a duas vozes, o ritmo torna-se rápido e sugere que penetramos nas mentes de Reneé e Paloma.
Gostei imenso da leitura deste romance, o qual através de uma elegância muito própria alterna quotidiano e evasão, banal risível e sonho filosófico.
( 46º livro lido em 2009 ... 11361 páginas lidas )
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Opiniões de Leitura
"A senhora Michel tem a elegância do ouriço: exteriormente, está coberta de espinhos, uma autêntica fortaleza, mas pressinto que, no interior, também é tão requintada como os ouriços, que são uns animaizinhos falsamente indolentes, ferozmente solitários e terrivelmente elegantes."Muriel Barbery in "A elegância do Ouriço"
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Excertos
" Para que serve a Arte ? Para nos dar a breve mas fulgurante ilusão da camélia, ao abrir no tempo uma brecha emocional que parece irredutível à lógica animal. Como nasce a Arte ? Nasce da capacidade que o espírito tem de esculpir o domínio sensorial. O que faz a Arte por nós ? Dá forma às nossas emoções e torna-as visíveis e, ao fazê-lo, apõe-lhes o selo de eternidade que ostentam todas as obras que, através de uma forma particular, sabem encarnar a universalidade dos afectos humanos.( ... )
... Não tarda a aspirarmos a um prazer sem procura, a sonharmos com um estado de beatitude que não comece nem acabe e onde a beleza deixe de ser fim ou projecto e passe a ser a própria evidência da nossa natureza. Ora, esse estado é a Arte.
( ... )
... a Arte é a emoção sem o desejo. "
Muriel Barbery in "A elegância do Ouriço"
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Excertos
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
" Tinha eu então trinta anos, e era tenente da marinha, quando me encarregaram de uma missão astronómica na Índia central.( ... )
Seriam necessários vinte volumes para contar essa viagem. Atravessei regiões inverosivelmente magníficas; fui recebido por príncipes de uma beleza sobrehumana e vivendo numa incrível magnificência. Pareceu-me, durante dois meses, que caminhava num poema, que percorria um reino de fadas sobre o dorso de elefantes imaginários. Descobria no meio de florestas fantásticas, ruínas espantosas; encontrava em cidades de uma fantasia de sonhos, prodigiosos monumentos, finos e burilados como jóias, ligeiros como rendas e enormes como montanhas, esses monumentos fabulosos, divinos, de um encanto tal que nos apaixonamos pelas suas formas tal como nos enamoramos de uma mulher, e que se experimenta ao vê-los um prazer físico e sensual. Enfim, como disse Victor Hugo, eu andava acordado dentro de um sonho. "
Guy de Maupassant in "Chali"
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Excertos
sábado, 5 de dezembro de 2009
Where Books Come To Life
Genial este filme produzido pela Colenso BBDO Animated para a NZ Book Council ! ;)
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Animações
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Li "A Casa Amarela" e ...
Sinopse:
" Dois gigantes, uma pequena casa...
De Outubro a Dezembro de 1888, uma dupla de artistas, na época mal conhecidos, partilhou uma casa em Arles. Paul Gauguin e Vincent van Gogh comeram, beberam, conversaram e discutiram, dormiram e pintaram numa das mais intensas e espantosas oportunidades criativas da História. Porém, à medida que as semanas passavam, Van Gogh começava a sentir a tensão, discutia com o companheiro e automutilava-se, levando Gauguin a deixar a casa sem sequer se despedir. A Casa Amarela é um retrato do tempo que passaram juntos, bem como uma abordagem inteligente da sua frágil amizade, arte, loucura, génio e das razões para o chocante acto de automutilação de Van Gogh que até hoje o mundo procura explicar. "
De Outubro a Dezembro de 1888, uma dupla de artistas, na época mal conhecidos, partilhou uma casa em Arles. Paul Gauguin e Vincent van Gogh comeram, beberam, conversaram e discutiram, dormiram e pintaram numa das mais intensas e espantosas oportunidades criativas da História. Porém, à medida que as semanas passavam, Van Gogh começava a sentir a tensão, discutia com o companheiro e automutilava-se, levando Gauguin a deixar a casa sem sequer se despedir. A Casa Amarela é um retrato do tempo que passaram juntos, bem como uma abordagem inteligente da sua frágil amizade, arte, loucura, génio e das razões para o chocante acto de automutilação de Van Gogh que até hoje o mundo procura explicar. "
De uma forma bastante original somos conduzidos por Martin Gayford até uma pequena cidade solarenga de província no Sul de França, Arles.Nesta, deparamo-nos com o sonho de um homem, mais propriamente Vincent Van Gogh, em criar uma comunidade de artistas, um círculo de pintores dispostos a partilhar ideias, cores, temas, experiências, livros e vivências.
Um dos seus 'companheiros' será precisamente Paul Gauguin, com quem compartilhará modelos e paisagens. A casa amarela tornar-se-á um pólo de comunicação artística entre dois músicos da cor até que a personalidade instável de Vincent acabará por afastar Gauguin.
E é assim que ao longo de 9 semanas e 326 páginas embrenhamo-nos numa das mais espantosas maratonas criativas da arte ocidental.Adorei esta obra biográfica, recomendando-a a todos aqueles que, tal como eu, são apaixonados por literatura e pintura ! ;)
( 44º livro lido em 2009 ... 10517 páginas lidas )
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Opiniões de Leitura
" Vincent era efectivamente romântico. Procurava um compromisso apaixonado com aquilo que pintava, fosse uma pessoa, um local ou uma coisa. Esparramava e esmagava tubos de pigmento na tela como se quisesse sentir o tacto e o cheiro do material. Gauguin, pelo contrário, preferia um «estado primitivo.» Queria a simplicidade e poesia de uma era anterior; amava Botticelli, a Grécia Antiga, a Pérsia, a Idade Média, as artes exóticas dos países quentes, e admirava os metódicos pintores clássicos - Degas, que idolatrava Ingres, que por sua vez venerava Rafael. Esta maneira fria e linear, que exprimia sensações quentes e exóticas, interessava pouco a Vincent. Tal como a disciplina, formal mas um pouco diferente, de Cézanne. Gauguin exagerava ou deturpava algumas das aversões do seu companheiro de casa: Vincent venerava Degas, mas chegava a ser severo em relação a Cézanne. "Martin Gayford in "A Casa Amarela"
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Excertos
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Catarina
O azul do teu olhar
Por um instante que fosse
O mundo iria parar
Somente para o admirar
E o sol do teu cabelo
Eclipsa a estrela universal
Quase que cega, ao vê-lo
Desperta a dúvida natural
Qual é o sol afinal ?
Van Gogh, Monet, Renoir
E tantos outros pintores
Que morreram sem alcançar
A perfeição das tuas cores,
Superior a um arco-íris de flores
Por mais artistas que escolhesse
Por mais que aprimorasse a rima
Para descrever a tua beleza
A dúvida é uma lâmina fina
Como se descreve uma obra-prima ? "
Francisco K in "Poiesis - Volume VIII"
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Poesia
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
" Então, bebamos uma chávena de chá. Como Kakuzo Okakura, o autor de O Livro do Chá, que ficava desolado com a revolta das tribos mongóis no século XIII não por ter trazido morte e destruição mas por ter destruído o fruto mais precioso da cultura Song, a arte do chá, sei que não se trata de uma beberagem menor. Quando passa a ser um ritual, é o cerne da aptidão para vermos a grandeza nas pequenas coisas. Onde está a beleza ? Nas grandes coisas que, tal como as outras, estão condenadas a morrer, ou nas pequenas que, sem nada pretenderem, sabem incrustar no momento uma gema de infinito ?
O ritual do chá, essa recondução precisa dos mesmos gestos e da mesma degustação, esse acesso a sensações simples, autênticas e requintadas, essa liberdade que é dada a cada pessoa para se converter, por pouco dinheiro, num aristocrata do gosto porque o chá tanto é bebida dos ricos como dos pobres, portanto, o ritual do chá tem a virtude extraordinária de introduzir no absurdo das nossas vidas uma brecha de serena harmonia. Sim, o universo conspira para a futilidade, as almas perdidas choram pela beleza, estamos rodeados de insignificância. Então, bebamos uma chávena de chá. Faz-se silêncio, ouve-se o vento soprando lá fora, as folhas de Outono farfalham e levantam voo, o gato dorme a uma luz quente. E, em cada gole, sublima-se o tempo. "
Muriel Barbery in "A elegância do Ouriço"
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Excertos
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Para aqueles livros especiais ...

Bastante criativa esta ideia da Iron Design Company. ;)
Desenvolvida a pensar naqueles livros que nos são tão especiais ... só é pena a largura não permitir todo o género de publicações.
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Design
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Li "As Intermitências da Morte" e ...
Fiel ao seu estilo sarcástico e irónico, José Saramago apresenta-nos neste romance um quadro muito interessante: narra os conflitos provocados pela decisão da Morte de abandonar a sua actividade, ou seja, num país não identificado, a partir do momento em que se brinda um novo ano as pessoas pura e simplesmente não morrem.Se a reacção inicial da população é de euforia e alegria, rapidamente transforma-se num motivo de preocupação, pelo impacto político, económico, social e até religioso da nova situação.
A ausência de mortes de um dia para o outro, sonho milenar da Humanidade, converte-se repentinamente numa dor de cabeça para governantes e cidadãos.
E é descrevendo as reacções das diversas instituições e entidades ( Igreja, Comunicação Social, Filósofos, Economistas, Hospitais, Companhias Seguradoras, Agências Funerárias, entre outras ) que o autor vai tecendo duras críticas à Sociedade Moderna.
Efectivamente, e além de fazer-nos olhar para a morte sob um prisma completamente diferente, leva-nos a reflectir sobre algumas questões importantes tais como o egoísmo, a extorsão, a falta de união e amor familiar, a corrupção, a eutanásia e até nós próprios.
Para não variar, diverti-me imenso com a leitura de mais um dos enredos impossíveis de José Saramago, tendo mesmo chegado a sentir alguma simpatia pela personalidade humana, demasiada humana da personagem Morte.
Enfim, um livro que recomendo vivamente ! ;)
( 41º livro lido em 2009 ... 9825 páginas lidas )
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Opiniões de Leitura
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