"Storybook" from Jeanette Woitzik"O livro é uma extensão da memória e da imaginação."
Jorge Borges
Bicicletas em Setembro ... jogos de imaginação da infância, quando, aos olhos de qualquer criança, as nuvens fazem desenhos, de bicicletas, por exemplo. ;)
Após algumas reticências iniciais, constituiu para mim uma agradável surpresa este primeiro romance que li de Rosa Lobato de Faria.
"Eu, que gosto tanto do mar e da sua voz que por vezes adivinho até no encandeamento obscuro dos meus sonhos, tenho por hábito passear sozinho ao longo da praia, de onde posso admirá-lo ou ficar a ouvi-lo sob a luz branca dos fins de tarde. Vou por ali fora, sozinho, entregue aos meus pensamentos, caminhando ao rés das fímbrias de água que as ondas baldeiam sobre a areia húmida, tornando-a plana e lisa como vidro. Recebo do mar a sua paz azul que me entra pelos olhos e que enche de inconfessáveis segredos o meu coração. Sinto-a como um suspiro na pele. A voz do mar traz até mim essa música do indefinido que por certo existe por detrás do silêncio, nas regiões da alma e no limite extremo do ser."
" Parti em missão para Cabo Verde com o meu marido ( também enfermeiro ) e com os meus dois filhos ( Ana Cristina de 2 anos e João Miguel de 4 anos ). As crianças depressa se ambientaram, aprenderam o crioulo e fizeram amigos entre a criançada da vizinhança. Como estavam já habituadas à cor achocolatada da raça negra, pois temos vários amigos africanos em Portugal, nunca tinham comentado ou feito perguntas acerca da cor da pele. Um dia, quando pela centésima vez disse ao meu filho que pusesse o boné porque o Sol estava muito forte, ele olhou-me muito sério e perguntou:
E é já com algum atraso, que deixo-vos a lista ( sem qualquer ordem de preferência ) dos 10 livros que mais gostei de ler em 2009 ! ;)
" O poder que a dor da perda tem de perturbar a mente foi de facto observada até à exaustão. O acto de chorar a perda de alguém, disse-nos Freud no seu Luto e Melancolia de 1917, «envolve desvios graves da atitude normal perante a vida». No entanto, observa ele, a dor da perda continua a ser considerada à parte dos outros distúrbios: «Nunca nos ocorre considerá-la uma situação patológica e enviá-la para tratamento médico.» Em vez disso, confiamos que «será ultrapassada após um certo lapso de tempo». Consideramos «qualquer interferência inútil e até prejudicial». Melanie Klein, no seu Mourning and Its Relation to Maniac-Depressive States, de 1940, faz uma afirmação semelhante: «Quem chora uma perda está, de facto, doente, mas, porque este estado mental é vulgar e nos parece muito natural, não classificamos de doença o acto de chorar essa perda ...
Em "A elegância do Ouriço", Muriel Barbery consegue formidavelmente reunir representantes das diversas classes sociais de França, os quais convivem na pacata rotina de um prédio rico e tradicional.