domingo, 20 de junho de 2010

Li "Humilhados e Ofendidos" de Fiódor Dostoiévski e ...

Dostoiévski ... há quem diga que é um autor difícil, negro, deprimente. Não deixo de concordar com o difícil, mas numa perspectiva de desafio para o leitor.
E à medida que vou lendo a sua obra, cada vez mais torna-se para mim um escritor de referência !

"Humilhados e Ofendidos" é um retrato contundente e profundo da vida nas grandes cidades.
Descreve uma sociedade na qual tanto os pobres e fracassados, como as pessoas comuns, continuamente humilhados pelos poderosos seguem, tentando preservar o que podem de sua humanidade, revelando assim as facetas mais nobres do ser humano.
Dotado de uma narrativa ágil e envolto numa atmosfera de grande tensão psicológica, ilustra os limites do amor e da compaixão, bem como a realidade social e os respectivos jogos de interesse.

Enfim, mais um romance de emoções fortes ... típico de Fiódor Dostoiévski ! ;)

( 23º livro lido em 2010 ... 4389 páginas lidas )

quarta-feira, 26 de maio de 2010

" ... para chegares ao teu destino, não podes ficar obcecado com o resultado. Pelo contrário, goza o processo de expansão e crescimento pessoal. Ironicamente, quanto menos te preocupares com o resultado final, mais rapidamente ele surgirá.
- Como ?
- É aquela história clássica do miúdo que saiu de casa para ir estudar com um grande mestre. Quando conheceu o velho sábio, a primeira pergunta que lhe fez foi: «Quanto tempo vou demorar a ficar tão sábio como tu?» A resposta não se fez esperar: «Cinco anos». «É muito tempo», retorquiu o miúdo. «E se eu trabalhar com o dobro do afinco?», disse. «Nesse caso, demorarás dez anos», respondeu o mestre. «Dez?! É muito tempo. E se eu estudar dia e noite, todos os dias e todas as noites?», disse. «Quinze anos», respondeu o sábio. «Não compreendo», disse o miúdo. «Sempre que prometo dedicar mais energia ao meu objectivo, dizes-me que vou demorar ainda mais tempo a atingi-lo. Porquê?» Disse o sábio: «A resposta é simples. Com um olho fixo no destino, sobra-te apenas um olho para te guiar ao longo da viagem

Robin S. Sharma in "O monge que vendeu o seu Ferrari"

domingo, 25 de abril de 2010

"Lar é onde se acende o lume e se partilha mesa e onde se dorme à noite o sono da infância.
Lar é onde se encontra a luz acesa quando se chega tarde.
Lar é onde os pequenos ruídos nos confortam: um estalar de madeiras, um ranger de degraus, um sussurrar de cortinas.
Lar é onde não se discute a posição dos quadros, como se eles ali estivessem desde o princípio dos tempos.
Lar é onde a ponta desfiada do tapete, a mancha de humidade no tecto, o pequeno defeito no caixilho, são imutáveis como uma assinatura conhecida.
Lar é onde os objectos têm vida própria e as paredes nos contam histórias.
Lar é onde cheira a bolos, a canela, a caramelo.
Lar é onde nos amam."

Rosa Lobato de Faria in "O Sétimo Véu"

terça-feira, 6 de abril de 2010

"Ela nunca compreendeu que o amor tem muito a ver com a necessidade de afirmação, e que não há amor sem reconhecimento. O segredo da duração do amor talvez consista nesse sentimento de gratidão, que aparece por motivos completamente distintos: o amor é um sentimento involuntário, irracional, cuja natureza não se associa à compreensão. Quando se fala em compreensão no amor, significa que uma das partes é dependente da outra. Mas nenhum de nós tem o direito de esperar do outro o que quer que seja."

Baptista-Bastos in "No Interior da tua Ausência"

quinta-feira, 1 de abril de 2010

"Há alturas na vida em que temos de voar. Não se sabe como nasce esse impulso; porém, sentimos que esse impulso nasce e temos de responder a esse impulso. Se não seguimos esse impulso vamos ficar marcados para toda a vida, faço-me entender ? ; o remorso e a sensação de culpa persegue-nos, um pesadelo que nos não abandonará. E vai sempre parecer-nos que as outras pessoas, todas as outras pessoas, nos vigiam, nos culpam, nos condenam. Esse impulso pode determinar a nossa vida. E esse impulso só acontece uma vez, e é quase imperceptível. Mas pode haver um mecanismo estranho que nos cega, nos insensibiliza nesse momento, e nós não entendemos os sinais do impulso."

Baptista-Bastos in "No Interior Da Tua Ausência"

quarta-feira, 31 de março de 2010

Storybook

"Storybook" from Jeanette Woitzik

"O livro é uma extensão da memória e da imaginação."
Jorge Borges

segunda-feira, 29 de março de 2010

A leitura pelo pincel de Édouard Manet



Três quadros do pintor impressionista francês Édouard Manet, onde a leitura é uma presença comum !

sábado, 27 de março de 2010

Li "As Bicicletas em Setembro" de Baptista-Bastos e ...

Bicicletas em Setembro ... jogos de imaginação da infância, quando, aos olhos de qualquer criança, as nuvens fazem desenhos, de bicicletas, por exemplo. ;)

Existe neste livro uma mistura de sonho e realidade, ao longo do qual deparei-me com diversos episódios insólitos e imprevisíveis que caracterizam bem a imaginação e o espírito de humor do autor.

Logo no início da obra vi-me perante uma imagem poderosa de cavalos apocalípticos, sem cavaleiros, correndo endoidecidos para a morte, sob uma terrível tempestade. Esta cena funcionou como uma espécie de prenúncio para a natureza dos acontecimentos que iriam decorrer. Acontecimentos cuja dramaticidade se joga entre os pequenos dramas do quotidiano, a perversidade dos homens, as invejas, a intromissão inoportuna e cruel na quietude dos outros e a morte que pode ser física, mas a mais trágica, a morte dos sentimentos, da confiança no ser humano, a morte destruição dos sonhos, a morte isolamento, a morte solidão.

Este foi o primeiro romance que li de Baptista-Bastos e fiquei encantada com a exuberância das suas imagens e lirismo na expressão de afectos.
Sem dúvida, um notável romancista !

( 8º livro lido em 2010 ... 1349 páginas lidas )

quarta-feira, 24 de março de 2010

"Os sonhos não devem ser revelados. Dá azar contar os sonhos. Os sonhos pertencem a quem sonha. É a única coisa que ninguém pode roubar aos outros. Talvez seja por isso que os sonhos não têm voz: receiam que os usurpem."

Baptista-Bastos in "As Bicicletas em Setembro"

terça-feira, 23 de março de 2010

Li "As Esquinas do Tempo" e ...

Após algumas reticências iniciais, constituiu para mim uma agradável surpresa este primeiro romance que li de Rosa Lobato de Faria.
O livro surge como uma reflexão sobre o tempo que é, segundo as palavras da própria, "uma coisa muito misteriosa".
Explora-se assim este tema com as suas encruzilhadas e transformações no ser humano, através da personagem Margarida, uma jovem professora de Matemática, enquadrada na Casa da Azenha ( uma espécie de portal do tempo ).

Foram 207 páginas que fizeram-me pensar: E se fosse possível virar uma esquina no tempo e encontrar rostos e vidas que nos são familiares num outro contexto, numa outra vida ? ;)


( 6º livro lido em 2010 ... 1101 páginas lidas )

domingo, 21 de março de 2010



"Outras interrogações a assolavam como, por exemplo, se as pessoas que consideramos geniais não serão apenas viajantes de tempos mais avançados que sabem aquilo que ainda não sabemos."

Rosa Lobato Faria in "As Esquinas do Tempo"

sábado, 13 de março de 2010

Jonathan Wolstenholme







Descubram mais aqui sobre Jonathan Wolstenholme !
"Eu, que gosto tanto do mar e da sua voz que por vezes adivinho até no encandeamento obscuro dos meus sonhos, tenho por hábito passear sozinho ao longo da praia, de onde posso admirá-lo ou ficar a ouvi-lo sob a luz branca dos fins de tarde. Vou por ali fora, sozinho, entregue aos meus pensamentos, caminhando ao rés das fímbrias de água que as ondas baldeiam sobre a areia húmida, tornando-a plana e lisa como vidro. Recebo do mar a sua paz azul que me entra pelos olhos e que enche de inconfessáveis segredos o meu coração. Sinto-a como um suspiro na pele. A voz do mar traz até mim essa música do indefinido que por certo existe por detrás do silêncio, nas regiões da alma e no limite extremo do ser."

João de Melo in "As coisas da alma"