sexta-feira, 13 de maio de 2011
Book Rest Lamp
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Criatividade
terça-feira, 10 de maio de 2011
"A inspiração.A tua inspiração capta as ideias que se amontoam, como uma grande nuvem sobre o planeta.
Nuvem que foi muitas vezes baptizada como «noosfera».
No seu interior as ideias misturam-se, tornam-se híbridas, fundem-se.
Ficas a saber que as ideias são como seres independentes.
Têm a sua própria evolução, a sua própria selecção, a sua própria mutação.
São unicamente filhas dos nossos cérebros.
Já existiam antes dos humanos e continuarão a existir depois.
Umas propagam-se, outras vivem em autarcia.
Outras aguardam para surgirem só no melhor momento.
Outras planam generosamente para serem agarradas por sonhadores e artistas.
Não obstante, sabes que também tu podes colher estas ideias.
Cada vez que te apetecer, podes visitar a noosfera e retirar tudo aquilo de que necessitas para criar no teu domínio privilegiado.
Mas não esqueças de que essas ideias não provêm de ti.
A tua criatividade consistirá em ligá-las de forma diferente.
Debruça-te sobre a noosfera. A tua memória aumenta para armazenar ideias, compará-las, sistematizá-las, fazê-las evoluir no teu laboratório espiritual pessoal."
Bernard Werber in "O Livro da Viagem"
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sábado, 7 de maio de 2011
"O espelho alegre e límpido da minha alma era de vez em quando ensombrado por uma espécie de melancolia mas, nessa altura, não estava seriamente turbado. Ela surgia aqui e além, por um dia ou uma noite, como uma tristeza sonhadora de solitário, mas desaparecia de novo sem rasto, regressando após semanas ou meses. Eu habituara-me a ela aos poucos como a uma amiga íntima, e não a sentia como atormentadora, mas apenas como uma inquietude e um cansaço que possuíam a sua própria doçura. Quando me acometia à noite, em vez de dormir, eu deitava-me horas seguidas no vão da janela, olhava o lago negro, as silhuetas dos montes recortados contra o céu pálido e, por cima, as belas estrelas. Depois, não raro, era tomado por um forte sentimento temeroso e doce, como se toda esta beleza nocturna me observasse com um justo olhar reprovador. Como se as estrelas, as montanhas e os lagos ansiassem por alguém que compreendesse e expressasse a sua beleza e a dor da sua existência silenciosa, como se fosse eu esse alguém, como se a minha verdadeira missão fosse a de, pela escrita, dar expressão à natureza silenciosa."Hermann Hesse in "Peter Camenzind"
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quarta-feira, 27 de abril de 2011
"Mostrai-me por esse vasto mundo o homem que melhor conheça ou mais ame as nuvens que eu ! Ou mostrai-me a coisa deste mundo que seja mais bela que as nuvens ! Elas são brinquedo e consolo do olhar, são bênção e dom de Deus, são a cólera e o poder da morte. Elas são delicadas, suaves e calmas como as almas dos recém-nascidos, são belas, ricas e dispensadoras como anjos bons, são negras, irrevogáveis e fatais como os mensageiros da morte. Elas pairam prateadas em ténues camadas, vogam ridentes, brancas com bordos doirados, elas param para repousar com cores amarelas, vermelhas e azuladas. Elas avançam soturnas e lentas como assassinos, galopam desenfreadas, de cabeça erguida, como cavaleiros loucos, pendem tristes e sonhadoras em pálidas alturas como melancólicos eremitas. Elas têm a forma de ilhas maravilhosas e de anjos a abençoar, assemelham-se a mãos ameaçadoras, velas adejando, grous em migração. Pairam entre o céu divino e a pobre terra, quais belas metáforas da nostalgia humana, pertencendo a ambos - sonhos da terra, em que esta roça a sua alma conspurcada no céu puro. Elas são a imagem eterna de todo o caminhar, da busca, da ânsia e da saudade do lar. E assim como elas pendem entre a terra e o céu, apreensivas, ansiosas e obstinadas as almas dos homens, entre o tempo e a eternidade."Hermann Hesse in "Peter Camenzind"
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segunda-feira, 25 de abril de 2011

"Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela."
Alberto Caeiro in "Poemas Inconjuntos"
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Poesia
"Passa uma borboleta por diante de mimE pela primeira vez no universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor,
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
No movimento da borboleta o movimento é que se move,
O perfume é que tem perfume no perfume da flor,
A borboleta é apenas borboleta
E a flor é apenas flor."
Alberto Caeiro in "O Guardador de Rebanhos"
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Poesia
sábado, 23 de abril de 2011
Li "O Culto do Chá" de Wenceslau de Moraes e ...
"Abordado não como objecto sociológico, e sim como fenónemo poético, O Culto do Chá, um dos mais belos livros de Wenceslau de Moraes, não é, literariamente, uma simples aguarela: antes é a confissão plena de um ocidental que, de maneira consciente e de si encantado, se submerge na porcelana-efusão de um outro modo qualitativo de se ser pessoa. Poder-se-á dizer, sem qualquer exagero, que O Culto do Chá se assume como a transfiguração do homem ocidental no homem oriental, não num processo de apagamento, e sim num acto de confraternização. Todo um ritual, como um aroma, se eleva destas páginas que o tempo subtilmente amadureceu: é a paisagem, a recolha das folhas, a efusão, os 75 a 300 gestos com que a bebida é ofertada, os recipientes de milénios, a conversa nas esteiras - e, por fim, a sede de beleza que jamais se apaga em quem assim se dá ao culto de sorver o chá."
A minha opinião de leitura:
As descrições iniciam-se com o seu cultivo nos campos que, segundo o autor, "são cuidados como jardins, em longos alinhamentos de arbustos, copados, arredondados, lembrando enormes manjericos" e onde as mulheres japonesas com os seus "dedos róseos, miudinhos, a escorrerem de orvalho e multiplicando-se em gestos delicados, vão colhendo os rebentos tenros de chá."
Descreve, depois, sempre num discurso poético e muito colorido, todo o processo de fabrico, onde "o chá é escolhido, escaldado, posto a secar, grelhado em fornos, enroladas as folhas ou reduzido a pó, depois empacotado, guardado em latas, em caixas, em boiões. Um melindroso amanho que requer mãos incansáveis, dedos prestimosos, cuidados inauditos, segredos de processo."
Mas o ritual do culto do chá não se fica por aqui, muito pelo contrário, vai atingir a sua maior plenitude, quando chega aos seus consumidores e a bebida é ofertada, multiplicando-se então em gestos sem conta, numa cerimónia onde o primor da cortesia e o convívio social fazem a apologia do seu culto ( chanoyu ).
Wenceslau de Moraes preferiu abordar O Culto do Chá não como sociólogo mas antes como poeta: exalta a beleza da terra, as moças formosas apanhadeiras de chá, a alegria das cantigas, a folia, o perfume do campo, a linha nobre dos ritos, preocupado apenas com os aspectos humanos e com a poesia íntima das coisas.
É um livro extremamente interessante sobre a arte do chá, e no qual está contida toda uma essência poética e mística que nos abre as portas para que conheçamos os japoneses.
Adorei este belo poema em prosa que alude ao encantamento do Japão, ao fascínio da mulher japonesa, à beleza de idílicas paisagens, à poesia da vida e ao mistério de antigas lendas.
Enfim, uma obra que desperta os nossos sentidos ! ;)
( 18º livro lido em 2011 ... 2652 páginas lidas )
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Opiniões de Leitura
"O chá japonês, servido invariavelmente sem leite e sem açúcar, que lhe prejudicariam o aroma, é a bebida mais suavemente agradável que possa oferecer-se ao nosso paladar ( não de todos porém, mas um paladar sentimental, um tanto sonhador ... que nisto dos nossos órgãos de sentir há temperamentos, aptidões afectivas, características ... ). O guyokuró, por exemplo, que é o mais celebrado chá de Uji e de todo o Japão, instila tais subtilezas balsâmicas de sabor que mais parece um perfume; poderia dizer-se que uma maravilhosa alquimia conseguiu liquifazer os aromas das flores - flores dos jardins, flores silvestres -, transferindo do olfato ao paladar a impressão do gozo. Assim é o guyokuró; claro está que as palavras não podem traduzir senão por comparação as emoções sentidas; e esta, a do agridoce deliciosíssimo que nos fica nos lábios, persistindo, como na memória persiste uma reminiscência, uma saudade, é incomparável ..."Wenceslau de Moraes in "O Culto do Chá"
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Excertos
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Do livro dum poeta místico,
E ri como quem tem chorado muito.
Os poetas místicos são filósofos doentes,
E os filósofos são homens doidos.
Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem
E dizem que as pedras têm alma
E que os rios têm êxtases ao luar.
Mas as flores, se sentissem, não eram flores,
Eram gente;
E se as pedras tivessem alma, eram cousas vivas, não eram pedras;
E se os rios tivessem êxtases ao luar;
Os rios seriam homens doentes.
É preciso não saber o que são flores e pedras e rios
Para falar dos sentimentos deles.
Falar da alma das pedras, das flores, dos rios,
É falar de si próprio e dos seus falsos pensamentos.
Graças a Deus que as pedras são só pedras,
E que os rios não são senão rios,
E que as flores são apenas flores.
Por mim, escrevo a prosa dos meus versos
E fico contente,
Porque sei que compreendo a Natureza por fora;
E não a compreendo por dentro
Porque a Natureza não tem dentro;
Senão não era a Natureza."
Alberto Caeiro in "O Guardador de Rebanhos"
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Poesia
terça-feira, 19 de abril de 2011
Minibooks of Jozsef Tari
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Miniature Books
segunda-feira, 4 de abril de 2011
O Pastor Amoroso ( I )
"Quando eu não te tinha Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo ...
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima.
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor ...
Tu não me tiraste a Natureza ...
Tu não me mudaste a Natureza ...
Trouxeste-me a Natureza para ao pé de mim.
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as cousas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou.
Só me arrependo de outrora te não ter amado."
"O Pastor Amoroso" de Alberto Caeiro
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Poesia
O Pastor Amoroso ( VI )
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distracção animada.
Quando desejo encontrá-la,
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
E prefiro pensar dela, porque dela como é tenho qualquer medo.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero.
Quero só pensar ela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar."
"O Pastor Amoroso" de Alberto Caeiro
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Poesia
domingo, 20 de março de 2011
Li "Knulp" de Hermann Hesse e ...
"Knulp narra três momentos da vida de Karl Eberhard Knulp, um homem alegre e conversador que, nas suas caminhadas por uma Alemanha rural, quase desconhecida, vive a transição para a vida adulta. Knulp é um poeta popular, um aprendiz que nunca chegou a estabelecer-se para exercer pacata e ordeiramente a profissão. Após o longo tempo em que se mantém à margem da chamada «vida normal», sempre em busca do sentido da amizade, do amor e da sua própria existência, é-lhe possibilitada uma compreensão mais íntima da natureza e do essencial, quando então contempla o passado e aquilo que poderia ter sido de si."
A minha opinião:
O romance, que assume a forma de três contos, centra-se na personagem de Knulp, um caminhante do mundo que continuamente vagueia e que recusa prender-se a qualquer espécie de lugar, trabalho ou pessoa.
Uma história encantadora sobre os sentimentos contraditórios de alegria e tristeza quando se é "boémio" na vida e de alma.
Enfim, mais uma "pequena obra-prima" de Hermann Hesse, imbuída de sabedoria e ensinamentos humanos.
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Opiniões de Leitura
"Cada pessoa tem a sua alma, que não pode ser confundida com nenhuma outra. Duas pessoas podem encontrar-se, podem conversar e ser bastante próximas, mas as suas almas são como flores, cada uma com raízes em lugares diferentes, e nenhuma delas pode ir ao encontro da outra, caso contrário teria de abandonar as suas raízes e isso é algo que não conseguem fazer. As flores emitem e trocam o seu aroma e as suas sementes, pois gostariam de ir ao encontro uma da outra, mas para que uma semente chegue ao lugar que lhe é destinado nada a flor pode fazer; responsável por isso é o vento, e esse chega e parte, vai e vem como e para onde ele quiser."Hermann Hesse in "Knulp"
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terça-feira, 15 de março de 2011
Making Books is 40s
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